sexta-feira, 4 abril, 2025
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Tempos de Armagedom

Anselmo Brombal – Jornalista

Cristãos mais fervorosos acreditam que existe Inferno, onde há choro e ranger de dentes. Os mais céticos acreditam que o Inferno é aqui na Terra mesmo – aqui se faz, aqui se paga. Os descrentes entendem que o Inferno é uma figura criada pelas igrejas para ameaçar seus fiéis não tão fiéis – os que não pagam o dízimo. Mas a Bíblia, mesmo para os descrentes, tem fundos de história e de verdades.
No livro do Apocalipse está narrado o Armagedom, quando então Deus punirá os iníquos, os malfeitores – o Deus vingativo. Uma incoerência. Se Deus é misericordioso não pode ser vingativo. Vingança é um sentimento recheado de maldade. Mas já vivemos parte do Armagedom – a confusão, a inversão de valores, o desrespeito total às regras.
Diariamente crimes são cometidos. Crimes de todos os tipos. Golpes via internet, assaltos com armas pesadas, roubos a pessoas, normalmente praticados por criminosos em motocicletas roubadas. Levam o que podem – celular, alianças de ouro, correntes, dinheiro, cartões bancários. São ousados, porque contam com a impunidade. Muitos são liberados na audiência de custódia.
A Justiça alega cumprir a lei, o que é uma meia verdade. Meia verdade tem a outra metade, a meia mentira. Políticos não têm a mínima intenção de produzir leis mais rígidas e eficazes, e em vez disso, aumentam os privilégios de criminosos. O Supremo Tribunal Federal faz sua parte no incentivo à criminalidade. Liberta traficantes, concede habeas corpus no atacado, e até proíbe a Polícia de trabalhar.
É o caso do ministro Edson Fachin, que não quer saber de Polícia nos morros cariocas. Agora o mesmo STF discute se visitas a criminosos podem entrar na cadeia sem passar pela revista íntima. Consequência: certamente as cadeias ficarão recheadas de armas e celulares.
O STF está preocupado com duas coisas: uma é colocar Bolsonaro na cadeia; outra são as questiúnculas. É bom lembrar que enquanto o STF se mete em tudo, inventa normas, interfere pra valer, há 20.355 processos parados nesse tribunal. Dormindo nas gavetas. O STF não trabalha, atrapalha. E o país continua andando. Com STF, sem STF e apesar do STF.
Continua andando, mas só Deus sabe como. Insegurança total nas ruas. O crime dominou tudo. Manda, desmanda, faz o que bem entende. Comparado aos criminosos atuais, Gino Amleto Meneghetti poderia ser canonizado. Meneghetti foi um ladrão e tanto em décadas passadas. Era um gato nos telhados, o homem-aranha do passado.
Walmir Vieira de Azevedo, estelionatário dos anos 1960-1970, quase quebrou um banco, tamanha a ousadia de seus golpes. Era o rei dos falsários. Cartazes da Polícia o identificavam como “o homem das mil faces”. Comparado aos hackers de hoje, Walmir poderia também estar no altar ao lado de Meneghetti.
Não tem conserto. Enquanto houver criminosos governando, descondenados, perdoados, tudo continua como está. Ou piora. Enquanto nossas fronteiras não forem fechadas, o tráfico de armas e drogas só tende aumentar. A maconha plantada no Brasil não dá para abastecer um dia na cracolância. O país não produz cocaína. Nem fabrica fuzis AK e AR. Vem tudo de fora, em muitos casos com a conivência de policiais e fiscais corruptos.
Já vivemos o Armagedom. Quem sobreviver terá histórias para contar a filhos e netos. Se houver filhos e netos. As famílias estão diminuindo de tamanho por uma série de motivos. Hoje é comum o casal sem filhos. O casal que tem um gato. Castrado.
Que soem as trombetas do Armagedom.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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