quarta-feira, 4 fevereiro, 2026
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Estou para entender essa infinita paciência

Anselmo Brombal – Jornalista

Boa parte da classe política é formada por ladrões. Há os que roubam mais. Há os que roubam menos. Mas roubam. E acredito que esse seja o motivo de tanta “dedicação” às causas públicas, à defesa de uma cidade, de um estado ou de um país. Uma paciência infinita para ouvir eleitores, pedintes, discursos e reuniões chatas demais.

Comecemos. O que leva um sujeito a sair de casa, percorrer ruas e cidades, abraçando quem não conhece só para pedir um voto? Abraços muitas vezes suados, fedorentos, apertar de mãos sujas e conversas que não levam a nada. O importante é o voto.

O sujeito deixa o conforto da casa, o convívio com a família, o abraço dos filhos, a tranquilidade dos finais de semana, o passeio na praia, sabendo que se for eleito essa bagaça vai continuar. Se eleito, sair para jantar com a família ou amigos vai ser perrengue. Não conseguirá ficar em paz. Será cobrado, até insultado. Mas a infinita paciência prevalece, e tem motivo.

Para conseguir votos, esse sujeito vai frequentar bares imundos, favelas, igrejas, associações, sociedades amigos de bairro, barracão de escola de samba, terreiro de candomblé, clubes de futebol e até inferninhos. Tudo com a infinita paciência.

Vai ouvir bêbados falando de suas ideias, exalando cachaça. Vai prometer o que lhe pedirem, sabendo que jamais irá cumprir tais promessas. Mesmo ignorante, semianalfabeto, se fará de importante para trocar ideias com pessoas cultas e esclarecidas. Vai concluir que convenceu.

Vai gastar muito dinheiro – uma campanha eleitoral não custa pouco. Talvez conte com apoio de rifas, bingos e empresários interessados em futuras vantagens. Ficará rodeado de puxa-sacos interessados num futuro cargo, numa boquinha. Durante a campanha, sua família ficará esquecida, e provavelmente sua mulher (ou o marido) dirá publicamente que está empenhada na eleição.

Quando eleito, terá um gabinete. Uma sala de milagres, onde não faltarão pedidos de ajuda – de emprego, jamais. Seus adversários, durante e após a eleição, espalharão notícias bem desfavoráveis – a primeira, que ele é corno. A segunda, que bate na mulher. A terceira, que o filho é maconheiro e a filha é biscate. Mas sua infinita paciência supera tudo isso. Ladrão é o mínimo.

Então, o que leva alguém a passar por tudo isso, por vontade própria? Idealismo? Amor à pátria. Ou pura safadeza?

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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