Anselmo Brombal – Jornalista
O Detran de São Paulo de um passo em direção ao “progresso” – exame pra tirar carta de motorista não tem mais baliza e ainda pode usar carro automático. Tenho restrições. Usar carro automático tudo bem, mas exame de baliza e 45º é necessário. Já temos motoristas barbeiros o suficiente. Esses, que arranham nossos carros em estacionamentos de supermercados e shoppings.
Assim como a Língua Portuguesa, que com o tempo se adaptou à ignorância da plebe, formar motoristas acompanhou a tendência. Se adaptar à ineficiência, à burrice. A Língua Portuguesa aboliu um monte de acentos e hífens, porque a jumentada não conseguia aprender as regras de acentuação e de separação de palavras.
O Contran e o Detran facilitaram tudo (menos as multas). Aula teórica não é mais na auto escola – você se vira com um livrinho mequetrefe (que é cobrado) para estudar sinalização e normas. Se passar no exame teórico, vai para o prático. Antes havia um instrutor. Hoje bastam duas horas de aula.
Quanto ao exame teórico: até hoje não entendo – acho que motoqueiros não estudaram a regra de ultrapassar pela esquerda. Não sou saudosista, mas…
Quando fuir me habilitar (na época o pessoal falava em tirar carta), havia aula teórica na auto escola, com um instrutor que sabia tudo. E não era na base do livrinho. Tínhamos de aprender sobre as peças do carro, para que serviam. Quem não soubesse era reprovado
O exame prático era feito pelo delegado de trânsito, em pessoa. Coisa bem rigorosa, se bem que já éramos alertados sobre as pegadinhas, como a do delegado mandar a gente estacionar em frente a uma garagem. Mas tinha quem caía, e aí era bomba. Os que eram melhor avaliados pelos instrutores eram os primeiros a fazer o exame prático, como forma de incentivar os demais, mostrar que não era um bicho papão.
Agora a história é outra. Novos motoristas são formados nas coxas. Habilitação é provisória, o que significa que o novo motorista tem um ano pra fazer merda nas ruas. Se não fizer, tem a habilitação definitiva. Carro automático em exame é moleza – quero ver fazer exame com um velho jipe, sem marchas sincronizadas.
O resultado desse amolecimento está aí. Acidentes provocados por barbeiragem, pesquenas batidas ídem. E nem estamos falando de motoqueiros. Não é mais surpresa deixar o carro no estacionamento do supermercado, e ao voltar, encontrá-lo riscado, batido. Falo em supermercado porque me recuso ir a shoppings.
E mais uma – reparou a quantidade de mulheres que dirigem os tais SUVs? Verdadeiros tanques de guerra. Elas alegam que se sentem mais seguras, o que não deixa de ser verdade. Mas se gostam de SUVs, por que não aprendem dirigir?
E ainda estão pensando em carro voador. Aí sim, vai foder tudo. Pago pra ver.



