domingo, 29 março, 2026
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A falta de respeito

Anselmo Brombal – Jornalista

A falta de respeito tornou-se uma constante em nosso dia-a-dia. Manifesta-se sob inúmeras formas, originadas por pessoas de todas as classes sociais, por letrados e analfabetos, ricos e pobres e ultimamente, por empresas que não sabem dar valor ao cliente. Ora é um vizinho que promove churrasco em seu quintal, onde o prato principal não é a carne, e sim uma potente caixa de som.

Ora pastores evangélicos que berram para espantar os demônios de seus templos, acreditando talvez que Deus seja surdo. Ou então, ambulantes com seus carros de som (som bem ruinzinho, por sinal) vendendo churros, produtos de limpeza, ou recolhendo óleo de cozinha usado. Não existe hora, não existe respeito pelo sossego alheio.

Há aqueles que “amam pets de paixão” que soltam seus cachorros nas ruas para que eles procurem comida, normalmente no lixo dos vizinhos; outros que libertam seus cães para que eles defequem nas calçadas dos outros. E acham isso normal. Em caso de bronca, costumam alegar que o ofendido “não ama animais”.

Há empresas que colocam atendentes despreparadas para atender balcão ou telefone. Teve uma fabricante de bolachas que, ao ouvir a reclamação de falta de recheio num de seus produtos, feita via SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), que sugeriu ao reclamante que comprasse a tal bolacha de outra marca.

Operadoras de telefonia e internet são campeãs na falta de respeito. Começam não entregando o que vendem. Algumas atendentes bem mal educadas ainda derrubam a ligação. E essas empresas só sobrevivem pela mistura de dois ingredientes: consumidor conformado com o desleixo e falta de opções.

Não se sabe de onde vem tanta falta de educação. Tornou-se normal a gritaria em família. Brigas frequentes, que muitas vezes terminam em agressões tornaram-se rotineiras. Então há muitas famílias desestruturadas, sem noção de civilidade e respeito. As escolas colaboram para isso, com seu ambiente contaminado e professores mal preparados.

Um conhecido tem seus problemas. Causados pela vizinhança mal educada. Toda manhã encontrava o registro da visita de um cachorro dos grandes em sua calçada: um monte de bosta. Reclamou inúmeras vezes com a dona do cachorro, e um dia ela respondeu que ele não gostava de animais.

Mas ele gosta, e muito. Prometeu que quando puder vai criar uma leoa, para que ela coma cachorro de dono mal educado. Vai tabém comprar um papagaio que fale muitos palavrões, para xingar a vizinhança. E um elefante para cagar na calçada dos outros.

Vingança pouca é bobagem.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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