quinta-feira, 12 fevereiro, 2026
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Biometano em Cajamar reduz emissões industriais

A transição energética para fontes que emitem menos Gases de Efeito Estufa continuam ganhando escala na indústria paulista. Um exemplo recente é a implantação de uma unidade de uso e abastecimento de biometano no complexo industrial da Natura Cosméticos, em Cajamar, que passou a utilizar o combustível em uma de suas caldeiras e na sua operação logística. 

A unidade de biometano recebeu Licença de Operação da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em julho de 2025 e funciona de forma contínua, 24 horas por dia. A estrutura instalada inclui uma Unidade de Manutenção e Vazão de Pressão com capacidade de 1.200 m³ por hora, área de estocagem com 16 cilindros de biometano (700 m³) e estacionamento de semirreboques industriais com três cilindros de 6.500 m³ cada, utilizados para alimentar uma das três caldeiras da planta. 

Com a mudança, uma das caldeiras passou a operar com 98% de biometano e 2% de GLP, substituindo o modelo anterior baseado majoritariamente em etanol. A estimativa é de consumo de 600 m³ por dia, com produção de até 3.250 kg/h de vapor para os processos industriais. 

Segundo dados divulgados pela empresa, com essa mudança o biometano já representa aproximadamente 45% de toda a energia utilizada nos processos produtivos da unidade de Cajamar — a maior operação da Natura na América Latina. O biocombustível também abastecerá 28 caminhões que realizam o transporte entre a fábrica e centros de distribuição da Grande São Paulo. 

A projeção para 2026 é de consumo anual de 3,5 milhões de metros cúbicos de biometano, volume equivalente ao uso energético de cerca de 30 mil residências. A substituição da matriz energética deve reduzir até 1,3 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano — impacto comparável à retirada diária de cerca de 280 veículos de passeio das ruas. 

O biometano utilizado na operação é produzido a partir da purificação do biogás gerado em aterros sanitários, transformando resíduos em fonte energética renovável. Parte dos resíduos destinados à unidade de tratamento retorna à empresa como combustível, em um modelo de economia circular. 

 A experiência de Cajamar reflete uma tendência crescente no setor industrial paulista de adoção de combustíveis renováveis em escala produtiva e logística, alinhada a metas corporativas de neutralidade de carbono e à agenda de descarbonização da economia.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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