Quem quiser aproveitar o carnaval deste ano terá que desembolsar mais. Isso porque os principais bens e serviços consumidos durante os dias da folia estão 8,6% mais caros, segundo dados do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Levantamento realizado pelas entidades, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apontou aumentos de preços bem acima da inflação geral (4,3%) nos itens da folia e também na cesta de carnaval, que apresenta elevação de 5,6% em 12 meses.
A análise mediu a variação de preços, no acumulado dos últimos 12 meses até dezembro de 2025, dos principais serviços e itens associados ao consumo fora do domicílio mais procurados pelos consumidores no período.
No ano passado, houve uma pressão inflacionária no setor de Serviços, resultado de um mercado de trabalho aquecido e da renda e do consumo em alta. Em períodos de alta temporada ou em datas (como o carnaval), os serviços intensivos em mão de obra, com oferta pouco elástica no curto prazo e demanda concentrada em poucos dias, tendem a ficar mais caros.
Pressões nos segmentos
Uma das maiores pressões identificadas no levantamento vem da alimentação fora do domicílio e especialmente de itens como cafezinho (15,5%), lanches (11,4%), vinho (10,9%) e sorvete (10,2%), que apresentaram variações bem acima do IPCA geral.
Aluguel comercial, custos trabalhistas e energia elétrica estão entre as principais razões para o aumento dos preços nesse grupo. Com o poder de precificação temporário causado pela elevada demanda no período, essa alta de preços pode se intensificar. De acordo com o levantamento das entidades, a diferença de valores não está na cadeia industrial, que permanece relativamente estável e competitiva, mas na prestação do serviço associada ao momento festivo.
Outro segmento com aumento relevante nos preços é o grupo de turismo e diversão, com variação de 8,2% no acumulado de 12 meses. Serviços como clubes (10,1%) hospedagens e casas noturnas (9,6%) e pacotes turísticos (7,1%) concentraram os maiores aumentos. No carnaval, quando a ocupação se aproxima do limite da capacidade instalada, os preços devem ser ajustados antecipadamente para captar a maior disposição a pagar dos consumidores.
No segmento de mobilidade, a inflação ficou mais moderada (4,6%). O transporte público (9,2%) e o estacionamento (6,4%) registram aumentos acima da média, enquanto os combustíveis permaneceram (2,3%) com variação inferior ao IPCA.
Os preços dos itens de vestuário também registraram variação abaixo da inflação geral (4,2%). Assim, o consumidor deve encontrar ofertas e promoções de início de ano e se beneficiar pela elevada concorrência no setor.
Segundo o Sincomercio e a FecomercioSP, a inflação associada ao carnaval, embora relevante, está restrita aos serviços ligados ao lazer, à alimentação fora do domicílio, ao turismo e à mobilidade urbana, em linha com a inflação predominantemente dos Serviços que o Brasil vem registrando nos últimos meses — e que se intensifica em momentos de grande concentração de demanda, como festas e eventos de massa.
Embora os juros elevados tenham desacelerado o consumo (especialmente no varejo) no último trimestre do ano passado, o consumidor tem se baseado na renda disponível, relativamente maior do que há um ano, para consumir, o que pressiona os preços dos Serviços, como fica claro ao se observarem os dados da cesta de carnaval.



