A presença feminina em posições de liderança dentro do ecossistema de inovação brasileiro vem crescendo nos últimos anos. Leves, mas importantes avanços têm sido feitos nesse âmbito, com cada vez mais mulheres se inserindo no ecossistema. De acordo com o Mapeamento do Ecossistema Brasileiro de Startups de 2025, feito pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups), 19,9% de mulheres são fundadoras de startups, em comparação com 78,4% de homens.
Foram mais de três mil startups mapeadas em todo o Brasil para esse estudo e, apesar de ainda serem em menor número, a participação de mulheres entre as pessoas fundadoras aumentou de 19,2% para 19,9% no último ano.
Um estudo feito em 2025 pelo Observatório Sebrae Startups, plataforma agregadora de dados do programa Sebrae for Startups, também mostrou números parecidos: de 22.869 startups mapeadas no Brasil, 3.797 são fundadas por mulheres, o que representa 16,6% do total.
Para a analista de negócios do Sebrae-SP e gestora do Sebrae for Startups em Jundiaí, Silvia Della Matrice, o ecossistema ainda tem muito a evoluir no que diz respeito a inclusão. “Apesar dos avanços recentes, os números mostram que ainda existe um caminho importante a ser percorrido para ampliar a presença feminina na liderança de startups. Incentivar mais mulheres a empreender no setor de inovação passa por ampliar o acesso à capacitação, fortalecer redes de apoio e dar visibilidade a exemplos de empreendedoras que já estão transformando o mercado. Quanto mais diverso é o ecossistema, maiores são as chances de surgirem soluções criativas, inovadoras e capazes de gerar impacto real na sociedade”, diz.
Cenário atual em Jundiaí
Ainda de acordo com dados do Observatório Sebrae Startups, Jundiaí conta com 66 startups mapeadas e 48% destas tendo software como seu principal produto. Apesar de não existirem dados concretos apontando quantas dessas startups são fundadas por homens ou mulheres, o município não se difere das estatísticas gerais, tendo mais homens presentes dentro desse ecossistema.
Apesar da forte presença masculina, as mulheres founders em Jundiaí exercem um papel fundamental no impulsionamento do ecossistema de inovação local.
Bruna Amaral é cofundadora da EN1, uma startup que nasceu para desburocratizar a gestão e dar agilidade operacional a negócios que buscam escala. Usando inteligência artificial, a EN1 conecta pessoas, processos e tecnologia para reduzir esforço operacional e melhorar a performance do negócio, desde startups até grandes empresas.
Juntamente com Danielle Macabeu, sua sócia, Bruna conta que a grande motivação para o desenvolvimento do negócio foi poder criar essa ponte para que a IA não ficasse restrita apenas às gigantes do mercado.
Apesar das dificuldades, Bruna acredita muito na força do ecossistema de Jundiaí e vê como um avanço e claro sinal de amadurecimento de mercado o fato de identidades diversas já poderem liderar seus próprios negócios.
Estefânia Raffanti, fundadora da Tavolozza, também vê Jundiaí com um ecossistema forte e pronto para receber mais diversidade entre seus líderes.
Com sua startup em fase de desenvolvimento de um Produto Mínimo Viável (MVP) e apesar de observar um cenário em constante evolução, a empreendedora não esconde que ainda há sim dificuldades pelo caminho. Estefânia diz que, entre elas, está a necessidade de precisar se provar o tempo todo nesse ambiente. Provar que possuem capacidades técnicas e competências comportamentais para conseguirem atuar em posições de liderança e mediar situações de conflito, por exemplo.
Estefânia destaca, por fim, a importância das mulheres se unirem e se capacitarem. “Como eu sou também professora, costumo dizer que tudo que eu aprendi foi através de uma pessoa que era especialista, que entendia e que transformou tudo que eu imaginava em algo real. Ninguém nunca vai poder tirar o nosso conhecimento. Então, o que eu posso dizer para incentivar as mulheres a entrarem nesse mundo é, com certeza, estejam sempre próximas de pessoas que entendem e que participam do ecossistema. Busquem sempre a capacitação e a mentoria para que vocês consigam transformar suas ideias em projetos. Eu tenho muito carinho pela minha startup, pois foi através dela que eu tive a oportunidade de observar um problema real das pessoas e oferecer uma solução. Isso é ser inovadora e isso é empreender”, finaliza.



