quinta-feira, 26 março, 2026
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Vadiagem em patamar superior

Anselmo Brombal – Jornalista

Nunca escondi minha opinião sobre o Bolsa Família: fábrica de vagabundos, assistencialismo eleitoreiro, voto de cabresto. Nesta semana pude constatar um fato que comprova minha opinião. Não me contaram. Eu vi e conferi.

Numa casa moram uma senhora e suas quatro filhas, além de três netas. Ninguém trabalha. Todo mundo passa o dia na vadiagem, vendo novela, discutindo o Big Brother e se enchendo de refrigerante. De onde vem o dinheiro?

Vamos lá. A casa é herança do marido da senhora, já morto e sepultado. As quatro filhas: a mais velha é divorciada, tem uma filha e recebe pensão alimentícia do ex. Uma boa pensão, por sinal. A de baixo também divorciada, também uma filha, e também recebe pensão do ex. A terceira é mãe-solo de duas filhas, e também recebe pensão dos pais das crianças. A mais nova tem um caso com um moçoilo dono de carro importado. E o moçoilo banca o luxo da mocinha.

Em comum: todas recebem o Bolsa Família. Assim fica explicado o porquê de churrasco em todos os fins de semana, a cervejinha e o refrigerante diário. Explica também as roupas novas (embora de mau gosto) e as idas ao salão de beleza para falar mal da vizinhança que, segundo a mais nova, morre de inveja. Ninguém estuda, embora sobre tempo.

E esse é só um exemplo. Quantas donas Marias vivem na mesma situação de vadiagem? Milhares, talvez. E isso porque, com medo de perder eleitores (sim, todas votam) não fiscaliza, não manda uma assistente social para certificar a condição de necessidade. Paga, com o nosso dinheiro, e pronto.

A prova de falta de fiscalização é contundente. Na semana passada, descobriu-se que o Pé-de-Meia estava (e ainda deve estar) sendo pago a dois mil estudantes que já morreram. Literalmente, alunos fantasmas. E não acontece nada. Dois mil mortos já estão comprovados, mas se investigar, certeza que existem muito mais.

Em algumas cidades do Nordeste se descobriu, há alguns anos, prefeitos que tinham 40 ou 50 cartões do Bolsa Família. Jà roubavam no lixo, na merenda escolar, nas concorrências para construir obras inúteis – mas resolveram avançar também no Bolsa Família. Pegaram alguns, e não aconteceu mais nada. Ficou o dito pelo não dito.

E assim, aquele suado dinheiro que o governo nos toma com mais e mais impostos, vai sendo roubado, ou, na melhor das hipóteses, mal usado. Até mesmo aquele dinheiro que sindicatos e associações inúteis roubaram dos aposentados não foi devolvido – quem devolveu a quem reclamou foi o governo. Ou seja, nós.

Painho nem é mais painho. Tornou-se um paizão.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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