Anselmo Brombal – Jornalista
Reparou como as coisas estão repetitivas? Não existem mais bons filmes. Nem boas músicas. Nem boas novelas. Nem marcas que despertem atenção do consumidor como as antigas. E só há uma teoria para explicar essa falta de criatividade – ou o repertório chegou ao fim ou, pior, a inteligência se foi.
Isso vale para tudo. Antes, políticos eram bons oradores e seus discursos tinham conteúdo. Hoje não há mais oradores desse naipe. Lembro, por exemplo, dos embates entre dois vereadores de uma época distante, Walmor Barbosa Martins e Tarcísio Germano de Lemos. Eram discussões inteligentes, bem embasadas, expressadas com uma verve invejável. Eram tribunos de fato, exibindo talento na antiga Câmara, instalada no último andar do prédio onde funcionava a Caixa, na rua Barão.
Dia desses, por acaso, vendo TV, passei pela novela Tieta, reexibida pela Globo. Deu gosto de ver o desempenho de Joana Fomm na personagem Perpétua. Não há mais gente assim. Alguns e algumas artistas são arremedo de desempenho. O rádio praticamente acabou. Poucas são as vozes marcantes. Nada comparável à época de Hélio Ribeiro, Afanasio Jazadji, José Paulo de Andrade, entre outros. Hoje tem-se a impressão que o locutor, principalmente das emissoras de FM, fala com uma batata quente na boca.
A música não é mais a mesma. Comparar Silvio Caldas cantando Chão de Estrelas com o que se canta atualmente é sacrilégio. Em época de carnaval, ouvir Dalva de Oliveira cantando Bandeira Branca é uma coisa; ou Zé Keti e sua Máscara Negra; ouvir a MC Pipoquinha é pra chorar. Adoniram Barbosa, com sua voz rouca, cantando em “italianês”, é outro exemplo. Os bons compositores já morreram. Os novos… bem, os novos não fazem nada que preste.
Filmes bons estão somente na saudade. Hoje, a maioria dos filmes só mostra violência e sexo. A trilogia O Poderoso Chefão tem violência de sobra. Mas tem uma senhora história. Ben Hur e Os Dez Mandamentos consagraram Charlton Heston. Há exceções. Indiana Jones é uma delas. Steven Spielberg é um diretor e tanto, assim como George Lucas, Quentin Tarrantino, Martin Scorcese e Francis Ford Copolla. E os nacionais? Walter Salles, que dirigiu o Ainda Estou Aqui, não passaria de um auxiliar desses diretores. Auxiliar do vice-treco da vice-coisa.
Inteligência natural está no fim. A moda agora é Inteligência Artificial. Aliás, tudo agora é artificial. Casamento é artificial; alimento é artificial. O ser humano se tornou artificial. Escravo de celular, caixa de ressonância de ideias absurdas e inexequíveis.
Segundo nos ensinam, o mundo evoluiu. Discordo. Chegamos num ponto em que há muitas coisas louváveis (nem se discute o avanço da Medicina); mas concluimos também que o ser humano deturpou boa parte do que foi inventado. Energia nuclear era para ser somente energia – se tornou uma bomba. O avião seria para transportar pessoas – hoje transporta mísseis e bombas.
A maior prova que não existe mais inteligência é a de povos disputando pedaços de terra baseados em convicções arraigadas, sem nexo algum. Tratam essas convicções como dogmas, sem atentar que existem outros lados a serem ouvidos.
Não viveremos para ver, mas logo vamos regredir a extremos. Precisaremos então inventar a roda, descobrir o fogo, aprender a falar, inventar a escrita. Começar de novo.
Se sobrar alguma inteligência para tanto.