quinta-feira, 22 janeiro, 2026
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Dieta mediterrânea reduz risco de miopia, diz pesquisa

Pesquisadores chineses publicaram no início deste mês no Britsh Journal of Nutrition estudo transversal  sobre o  efeito da dieta mediterrânea na miopia de  adolescentes, utilizando dados do Nhanes (Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição) realizado a cada dois anos nos Estados Unidos.

Participaram do estudo 2.473 adolescentes americanos  com idades entre 12 e 18 anos, sendo 1.090 com miopia maior ou igual a 0,5 dioptria e 1.383 sem miopia. Para os pesquisadores, embora haja evidências de que a herança genética não seja a única determinante da miopia, fatores ambientais, como por exemplo, a alimentação,  pode estar por trás da projeção da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 51% da população global com miopia  até 2050.

As estatísticas do estudo mostram que o consumo abusivo de açúcar e carboidratos refinados aumentou em 41% a miopia de uma parcela de participantes em  comparação aos que mantiveram a dieta mediterrânea.

Porque a dieta tem este efeito

Para o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor do Instituto Burnier e membro fundador da Abracmo (Academia Brasileira de Controle da Miopia) o segredo da dieta mediterrânea para os olhos e saúde sistêmica é a melhora da circulação. Isso porque, quando a circulação está comprometida o aporte de oxigênio e nutrientes  diminuem em todo o globo ocular, incluindo a coroide responsável pela nutrição da esclera, parte branca do olho.

Por isso, a esclera que funciona como o arcabouço do globo ocular, se torna maleável e facilita o crescimento do olho acima do normal.  O especialista explica que a alimentação mediterrânea facilita a circulação, a esclera se torna mais resistente e impede o crescimento anormal do olho. “Apesar disso, até agora, não há evidência de que a alimentação ou suplementação sozinhas revertam ou interrompam a miopia” afirma Queiroz Neto. Entretanto, a alimentação rica em grãos integrais, verduras, frutas, nozes, pescados e azeite podem modular fatores fisiológicos envolvidos na progressão, funcionando como coadjuvantes, não como tratamento isolado, assinala.

Como a criança se torna míope

O oftalmologista explica que a principal alteração fisiológica do olho míope é o aumento do comprimento axial – distância entre a córnea (lente externa do olho) e a parte detrás da retina. Por isso, é tão importante o tipo de alimentação que uma criança recebe, salienta.

“Alimentos ultraprocessados e refinados, a gordura saturada e o excesso de açúcar enfraquecem a esclera e aumentam o risco de  crescimento do olho acima dos 23 a 24 mm que caracterizam a boa visão. O especialista ressalta que cada milímetro a mais indica 2,5 dioptrias de miopia. Em olhos com alta miopia o comprimento axial é de 26mm ou mais, o fundo do olho se torna frágil  e  aumenta o risco de perda da visão na idade adulta por descolamento e outras condições na retina, glaucoma e catarata.

O risco das telas

“Nossos olhos não foram feitos para permanecerem fixos diante de uma tela por mais de duas horas ininterruptas”,  diz o oftalmologista. Isso porque, explica, trabalham para ver, piscamos cinco vezes menos em frente às telas, a lágrima resseca, os olhos são bombardeados por milhões de pontos luminosos,  ardem e este esforço  intensivo causa dor de cabeça.

Um estudo de Queiroz Neto com 360 crianças de 6 a 9  anos revela que na infância o uso de telas por mais de duas horas dobra o risco de miopia e também  causa miopia acomodativa, um espasmo dos músculos ciliares que movimentam o cristalino do olho para alternar a focalização nas várias distâncias. O especialista explica que a  miopia transitória é um turvamento da visão que pode durar meses ou se tornar um mal permanente caso os hábitos não sejam modificados.

A criança com miopia transitória se sente bem em frente ao computador, avisa, mas como não enxerga à distância com frequência têm queda no rendimento escolar. A miopia é o mal do século quando o assunto é saúde ocular. Queiroz Neto ressalta que  há evidências de que as atividades ao ar livre por pelo menos duas horas, especialmente nos horários de alta luminosidade aumentam a produção de dopamina, hormônio que diminui o risco de miopia. “O problema é que a criança não sabe como enxerga. Por isso, são os pais que devem estar atentos, especialmente no período de férias para não comprometer o aprendizado na volta às aulas”, conclui.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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