Anselmo Brombal – Jornalista
Já podemos considerar março o mês das hipocrisias. Talvez sóp rivalize com dezembro, mês que todos desejam – uns aos outros – feliz Natal e feliz ano novo. Março tem o Dia da Escola (15) num país em que pouca gente estuda – o governo dá uniforme, material escolar e ainda uma bolsa pra ninguém faltar às aulas. Mesmo assim…
Também tem o Dia da Floresta (21), onde se comemora o desmatamento fora de controle. Mas hipocrisia de verdade são duas datas: 8, Dia da Mulher, e 15, Dia do Consumidor. Mentiras que perduram por anos, disfarçadas em homenagens, festinhas e promoções. De prático, absolutamente nada.
No Dia da Mulher tem marido dando presentes e buquês de flores à mulher. Tem palestras tratando do empoderamento feminino (empoderamento, ô palavrinha chata!) e alguém sempre lança algum programa para combater a violência doméstica e o estupro. E estupro parece estar na moda. Não há respeito à figura feminina. Diz-se que o estuprador (que já deveria estar castrado) faz isso para demonstrar poder. Então não seria satisfação sexual.
Bem, se alguém quer demonstrar poder, é fácil. Basta ir ao Irã, juntar-se aos aiatolás e enfrentar a turminha do Trump. Se bem que muitos aiatolás defendem o estupro e tratam mulher como um ser inferior, um objeto.
Passadas as encenações do Dia da Mulher, a vida volta à rotina no dia nove. Mais violência doméstica, mais estupros, mais assédios – um estudo publicado nesta semana mostrou que 70% das mulheres falaram que já sofreram algum tipo de assédio. E a Polícia fez até mutirão para prender covardes agressores de mulheres.
O Dia da Constituição é comemorado em 25 de março. É bom lembrar que nunca houve desrespeito tão grande e tão flagrante à Constituição como nos tempos atuais. Em 31 de março ainda se comemora a Revolução de 1964, a tal Redentora. Que revolução? Não teve tiros, não teve mortes. E muitos ainda tentam transferir a revolução para o dia 1º de abril, o Dia da Mentira.
Dentre as hipocrisias está ainda o Dia do Consumidor (15), uma das falsidades do comércio e dos prestadores de serviços para aliviar a consciência, talvez. O consumidor não é respeitado e quando reclama tem uma eternidade pela frente para resolver seu problema. Ouvi pessoalmente de uma caixa de supermercado que “velho só vai ao mercado para encher o saco”. Pode ser velho, mas é um consumidor.
Empresas fazem “promoções” para aumentar suas vendas. Primeiro aumentam os preços, no começo do mês, e no Dia do Consumidor dão descontos. É a mesma enganação e trapaça da Black Friday – tudo pela metade do dobro do preço.
E ainda dizem que abril é o mês da mentira. Março ainda está recheado de datas inventadas por deputados que não tinham o que fazer (quando têm, não o fazem). No dia 14, comemora-se o Dia do PI (3,141516), o Dia da Matemática, o Dia dos Animais e de quebra, o Dia dos Carecas. E no dia 20, o Dia da Felicidade.
E assim, de balela em balela, la nave vá.



