Com a chegada do Dia Mundial do Sono, 13 de março, especialistas aproveitam para alertar sobre a importância de noites de descanso de qualidade. Uma noite mal dormida nem sempre é facilmente percebida. Em alguns casos, os sinais são claros: dificuldade para adormecer, despertar frequente e a sensação de cansaço ao acordar. Em outros, o problema passa despercebido durante a noite e só se manifesta ao longo do dia, com sonolência persistente, irritabilidade, falta de concentração e queda no rendimento das atividades.
Segundo Fábio Caparroz, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial hábitos cotidianos têm impacto direto na qualidade do sono e podem agravar esse quadro sem que a pessoa perceba. “Muitos pacientes só procuram ajuda quando o cansaço se torna insuportável, mas a raiz do problema pode estar em pequenos hábitos diários”.
Um dos principais vilões é o “uso excessivo de telas” à noite. “Mesmo que a pessoa se sinta cansada, a luz azul emitida por celulares, computadores e tablets mantém o cérebro em alerta e atrasa a chegada do sono profundo”, alerta o médico. Ele reforça que esse comportamento é cada vez mais comum entre adolescentes e adultos e está diretamente associado à dificuldade de concentração durante o dia.
Outro hábito que prejudica o descanso é o “álcool antes de dormir”. “Muita gente acredita que um drink ajuda a relaxar, mas o efeito é temporário. O álcool fragmenta o sono, reduz as fases mais profundas do descanso e aumenta a probabilidade de despertares noturnos”, diz o especialista.
A “posição para dormir” também merece atenção. Posturas inadequadas podem provocar dores musculares, desconfortos respiratórios e agravar distúrbios como ronco e apneia. “Dormir de forma errada não só causa desconforto físico, mas também impede que o corpo repare adequadamente durante a noite”, afirma.
Além disso, o “ambiente inadequado”, com iluminação excessiva, ruídos, temperatura desconfortável ou colchões impróprios, prejudica o relaxamento do corpo e dificulta a manutenção de um sono contínuo. “Criar um ambiente silencioso, escuro e confortável é essencial. Pequenos ajustes, como controlar a temperatura e reduzir estímulos luminosos, fazem grande diferença”, recomenda.
Segundo os especialistas, se mesmo com ajustes na rotina e no ambiente o cansaço persistir, é fundamental procurar avaliação médica. O otorrinolaringologista pode identificar distúrbios como ronco intenso, apneia do sono ou outras condições que comprometem o descanso. “O diagnóstico precoce permite tratamento adequado e melhora significativa na qualidade de vida”, destaca.
A soma desses fatores pode gerar fadiga constante, irritabilidade, queda no rendimento e impactos na saúde física e mental. “Investir em hábitos comportamentais simples (como por exemplo ir dormir e acordar no mesmo horário de rotina), bem como na higiene do sono é tão importante quanto manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios. Dormir bem é fundamental para o corpo e para a mente”, conclui Fábio Caparroz.



