O governo federal desistiu de vender as 3,5 mil toneladas de material radioativo de baixa intensidade estocadas há quase 50 anos em um sítio em Itu, no que ficou conhecido como o lixo atômico da cidade.
A informação foi confirmada na segunda-feira (6) pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa pública ligada ao Ministério de Minas e Energia. Dois dias depois, a empresa complementou a informação, dizendo que avalia internamente a possibilidade de novo processo de oferta pública.
Um chamamento público para a venda da “Torta 2” — um resíduo do tratamento do minério de monazita, composto por urânio, tório e terras-raras —, foi adiado seis vezes em dois anos e encerrado em 13 de março sem nenhuma proposta.
O material começou a ser estocado de forma clandestina em 1975 em uma área rural de Itu. A situação só foi descoberta em 1979, gerando uma onda de protestos na cidade. O ex-prefeito Lázaro Piunti, que governava no início do armazenamento, afirmou que o ato foi uma “agressão à autonomia do município”.
No terreno em Itu estão armazenadas 3,5 mil toneladas de Torta 2, um resíduo radioativo proveniente do tratamento químico do minério da monazita, composto por urânio, tório e terras taras. Outras duas cidades também têm o material e estão em processo de venda.
A INB e a Cnen garantem que o local é seguro e monitorado constantemente, com análises de água e solo que, segundo eles, não apontam contaminação nos mananciais próximos.
Com o fracasso da venda, o futuro do lixo atômico de Itu permanece incerto, e a população local continua a conviver com o depósito radioativo em seu quintal.



