quinta-feira, 21 maio, 2026
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Boicote nunca deu certo

Anselmo Brombal – Jornalista

Virou assunto nacional o pretenso boicote ao detergente Minuano. Todo mundo em defesa da Ypê. Não vai dar certo. É uma onda passageira, e logo tudo estará esquecido. E a dona de casa, fazendo compras no mercado, vai escolher o preço e achar que detergente é tudo igual. Se bem que continuo entendendo que essa Anvisa fez sua “desoberta” por encomenda.

O absurdo, porém, foi uma anta acreditar que tinha gente tomando detergente Ypê. Fez até apelo nas redes sociais para o povo parar de tomar detergente. Acredita-se que ela tenha tomado algum produto da marca Bobaril…

Se boicote desse certo:

– Não teríamos carros da Volkswagen rodando pelo mundo. O Volks, pra quem não sabe, foi uma encomenda de Hitler ao engenheiro Ferdinand Porshe. Ele queria um carro popular. O nazismo o tornou mais popular do que precisava. Como o mundo todo combateu o nazismo e seus produtos… A Volkswagen está aí, uma das maiores do mundo.

– Também não teríamos os desejados carros da Porshe. Seu fundador era nazista convicto e amiguinho de Hitler. Hoje, os carros da marca são sonho de consumo de quem tem muito dinheiro.

– Mercedes Benz nem pensar. Foi outro símbolo do nazismo. Era o carro oficial de Hitler e de outros chefões do regime nazista. Mas a Mercedes está prestigiada e rica. Ninguém boicotou.

– Tabém não teríamos a Fiat, a que mais vende carros no Brasil. Pra quem não sabe, a Fiat produziu aviões e motores durante a Segunda Guerra, quando a Itália era governada por Mussolini, um símbolo do facismo. E aliado de Hitler.

– O Japão também era aliado dos nazistas e de lá sairam aviões com motores Honda. E os “Zero” produzidos pela Mitsubishi. E também não teríamos os Ford – o fundador da empresa, Henry Ford, patrocinou jornais e o partido nazista.

Assim, sobra pouco se houvesse boicote. E quando se pensou em fazê-lo, tivesse funcionado. Particularmente faço meu boicote a duas marcas, mas por razões que considero sérias. Mas não prego boicote. Só deixo de comprar.

Schincariol, por exemplo. A empresa engarrafava refrigerantes para a Anterctica, e resolveu produzir sua cerveja. Fui convidado, como jornalista, a conhecer o projeto, e lá fui eu para Itu. Entrevistei um diretor da empresa, todo solícito. Era uma época em que havia poucas cervejas. Pouquíssimas.

Tempos depois, recebi novo convite, dessa vez para conhecer a produção. E lá fui eu de novo. Nova entrevista, visitamos a fábrica, vimos a produção. E na saída, a clássica pergunta: onde se compra essa cerveja? A resposta saiu da gaveta: uma lista de supermercados de Itu que já vendiam o produto. Obrigado e tchau. O muquirana não teve coragem de dar uma lata de 350ml da cerveja. Resultado: nunca tomei Schincariol na vida. Nunca.

Outro exemplo: Marilan. Há anos, comprei um pacote de bolachas da Marilan. A embalagem dizia que era recheada. Uma decepção. Até achei que poderia ser defeito de fabricação. Liguei na empresa e fui muito maltratado, embora minha intenção não fosse reclamar para ganhar outro pacote. Quem atendeu foi mal educado ao extremo.

Em compensação, quando a Souza Cruz lançou a nova embalagem do Carlton (agora é Dunhill), notei excesso de cola no selo da embalagem. Liguei na Souza Cruz, fui bem atendido, observação anotada e muito obrigado. Na semana seguinte a Souza Cruz me ligou, explicando que a máquina que colava o selo apresentou defeito e punha cola demais, e que o problema já estava corrigido. Me agradeceu e se colocou à disposição.

Por essas e outras não acredito em boicote. Aliás, só acredito no boicote conjugal. Quando a mulher resolve boicotar o marido, negando-lhe carinho, sempre ganha. O boicote que funciona…

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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