sexta-feira, 23 outubro, 2026
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Fratura após queda simples pode ser sinal de osteoporose

Uma fratura provocada por uma queda da própria altura, durante uma caminhada ou outra atividade cotidiana, pode indicar fragilidade óssea. Por isso, o cuidado deve incluir a investigação da causa, além do tratamento da lesão. A osteoporose enfraquece os ossos e pode evoluir sem sintomas até que ocorra a primeira fratura. O alerta marca o Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, 20 de outubro.

Segundo a International Osteoporosis Foundation, em um panorama mundial, até 80% dos pacientes que sofrem uma fratura permanecem sem diagnóstico e tratamento da osteoporose subjacente. O dado evidencia uma oportunidade de cuidado que muitas vezes é perdida: investigar a saúde dos ossos após uma fratura e adotar medidas para reduzir o risco de novos episódios.

 Ainda de acordo com a IOF, o histórico de fratura está associado a um risco 86% maior de sofrer outra fratura em comparação com pessoas sem esse antecedente. A entidade também aponta que o risco de recorrência é especialmente elevado nos dois primeiros anos após o episódio inicial.

 “A investigação deve fazer parte do cuidado com a fratura, sem esperar a recuperação do osso. Quando identificamos osteoporose ou outra condição que compromete a resistência óssea, podemos estabelecer um tratamento para reduzir o risco de novas fraturas. A consolidação da lesão não encerra esse acompanhamento”, explica José Luis Amim Zabeu, coordenador da Ortopedia do Vera Cruz Hospital, em Campinas.

Como investigar a saúde dos ossos

A avaliação considera o histórico de saúde do paciente, a ocorrência de fraturas anteriores, o uso de medicamentos e outros fatores de risco. Um dos principais exames é a densitometria óssea, que mede a densidade mineral dos ossos e auxilia no diagnóstico da osteoporose. Ela pode ser indicada após uma fratura por baixo impacto ou antes de qualquer lesão, conforme a idade, os fatores de risco e a avaliação médica.

Radiografias da coluna também podem ajudar a identificar fraturas nas vértebras que nem sempre provocam sintomas evidentes. Exames laboratoriais, como os que avaliam os níveis de cálcio, vitamina D e outros indicadores do metabolismo ósseo, contribuem para investigar condições associadas e orientar o tratamento.

“A escolha dos exames depende da história clínica e das necessidades de cada paciente. Em mulheres após a menopausa, por exemplo, a indicação da densitometria considera também a idade e a presença de fatores de risco. O objetivo é identificar a fragilidade óssea, compreender suas possíveis causas e definir a melhor conduta”, orienta Zabeu.

Embora seja mais comum com o avanço da idade e em mulheres após a menopausa, a osteoporose também pode afetar homens e pessoas mais jovens. Segundo a IOF, no mundo, cerca de uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos sofrerão uma fratura relacionada à osteoporose ao longo da vida restante. Outros fatores de risco incluem histórico familiar de osteoporose ou fraturas, uso prolongado de corticoides, tabagismo e alterações na absorção de nutrientes, como as que podem ocorrer após a cirurgia bariátrica. Alguns tratamentos, como a quimioterapia, também podem comprometer a saúde óssea, dependendo do contexto clínico.

Como a doença costuma evoluir sem sinais claros, mudanças como a redução da estatura e o aumento progressivo da curvatura da coluna merecem avaliação médica, pois podem estar relacionadas a alterações ou fraturas nas vértebras. “Pessoas com fatores de risco podem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de avaliar a saúde óssea, mesmo que nunca tenham sofrido uma fratura. Para quem já passou por um episódio, não se deve esperar que outro aconteça para investigar”, afirma o ortopedista.

Prevenção e tratamento

A prevenção começa antes do aparecimento da doença. Alimentação equilibrada, ingestão adequada de cálcio e outros nutrientes, prática regular de exercícios físicos e não fumar são medidas que contribuem para a saúde óssea. Atividades voltadas ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio também ajudam a reduzir o risco de quedas.

Para quem já tem osteoporose ou sofreu uma fratura por baixo impacto, o plano de cuidado deve ser individualizado. Além dos hábitos saudáveis, o médico pode indicar medicamentos específicos para fortalecer os ossos e reduzir o risco de novas fraturas. A terapia hormonal pode ser considerada em situações selecionadas, após avaliação dos benefícios e riscos para cada paciente.

“Exercícios, alimentação adequada e prevenção de quedas fazem parte do cuidado, mas não substituem os tratamentos específicos quando eles são necessários. O acompanhamento permite avaliar a resposta ao tratamento e ajustar as orientações às condições de cada pessoa”, conclui Zabeu.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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