terça-feira, 16 abril, 2024
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Abate de bovinos volta a subir e produção de ovos de galinha bate recorde em 2022

Foram abatidas 29,80 milhões de cabeças de bovinos em 2022, representando um aumento de 7,5% frente a 2021

Após dois anos seguidos de queda, o abate de bovinos voltou a crescer em 2022, totalizando 29,80 milhões de cabeças. A produção nacional de ovos de galinha superou em 1,2% o resultado de 2021, estabelecendo novo recorde em 2022, com a marca de 4,06 bilhões de dúzias. O abate de suínos também foi recorde na série histórica, com 56,15 milhões de cabeças abatidas, um crescimento de 5,9% na comparação com o ano anterior. Os dados fazem parte da Estatística da Produção Pecuária, divulgada pelo IBGE.
Foram abatidas 29,80 milhões de cabeças de bovinos em 2022, representando um aumento de 7,5% (2,09 milhões de cabeças a mais) frente a 2021. “O aumento de 19,1% do abate de fêmeas foi fundamental para essa retomada. São os ciclos da pecuária. Depois de um período de retenção das vacas para procriação, seguido pela entrada dos bezerros no mercado e sua consequente desvalorização pelo aumento da oferta, as fêmeas começam a ser destinadas ao abate”, explica o analista da pesquisa, Bernardo Viscardi.
Mato Grosso continuou liderando o ranking em nível nacional no abate de bovinos em 2022, com 15,8% da participação, seguido por São Paulo (11,5%) e Mato Grosso do Sul (11,0%).
Com mais um recorde, a produção de ovos de galinha em 2022 foi de 4,06 bilhões de dúzias, um aumento de 1,2% em relação a 2021. Foram disponibilizadas ao mercado 47,71 milhões de dúzias de ovos a mais, uma consequência do aumento da atividade em 16 dos 26 estados analisados.
Bernardo destaca que o mercado interno é o grande responsável por esse resultado, pois o Brasil exporta relativamente pouco, menos de 1% da produção: “O ovo é a proteína mais barata, em termos absolutos, dentre todas as pesquisadas, sendo uma ótima alternativa às carnes bovina, suína e de frango. Os ovos são utilizados tanto para consumo, quanto para incubação. Logo, o crescimento da produção de carne de frango acompanha o aumento da atividade de ovos incubados, férteis”.
São Paulo, que teve uma queda de 0,1% quando comparada ao ano anterior, continuou sendo responsável pela maior produção, liderando o ranking anual dos estados em produção de ovos de galinha, com 27,1%, seguido por Paraná (9,4%), Minas Gerais (8,9%) e Espírito Santo (8,4%).
Os suínos mais uma vez se destacaram na pesquisa, com 56,15 milhões de cabeças abatidas em 2022, um aumento de 5,9% (3,10 milhões de cabeças a mais) em relação a 2021. É um novo recorde.
“É uma carne com custo menor, mais acessível do que a carne bovina. A indústria de suínos vem trabalhando com cortes fáceis de preparar, o que naturalmente ajuda a elevar o consumo. Além disso, as exportações aumentaram. Apesar da recuperação do seu plantel após o controle da Peste Suína Africana, alguns dos principais destinos da carne brasileira, como China, Vietnã e Filipinas, mantiveram as importações em patamares elevados”, analisa Bernardo.
Santa Catarina manteve a liderança no abate de suínos em 2022, com 28,5% do abate nacional, seguido por Paraná (20,4%) e Rio Grande do Sul (17,3%).
Assim como no caso dos suínos, o abate de frangos também se beneficiou com a alta demanda no mercado interno, pois é uma proteína a que mais pessoas têm acesso. Ela substitui a carne bovina. O resultado de estabilidade de 2022 é o segundo melhor da série histórica, atrás apenas dos números obtidos em 2021.
No que se refere às exportações, a gripe aviária que afetou em maior grau o Hemisfério Norte ajudou a impulsionar a venda de carne de frango do Brasil. “Houve problemas nas cadeias de produção de fornecedores tradicionais no mercado internacional, localizados nos Estados Unidos e na União Europeia. A guerra na Ucrânia também impactou, uma vez que o país era um dos maiores fornecedores”, acrescenta Bernardo. O Brasil, que já era o maior exportador de carne de frango do mundo, se consolidou ainda mais nessa posição.
Paraná continuou liderando amplamente o ranking dos estados no abate de frangos em 2022, com 33,5% de participação nacional, seguido por Rio Grande do Sul (13,4%) e Santa Catarina (13,1%).
O leite captado em 2022 alcançou a marca de 23,85 bilhões de litros, uma redução de 5,0% em relação à quantidade registrada em 2021. É a segunda queda consecutiva após o recorde observado em 2020. “O fenômeno La Niña provocou seca no sul do Brasil, prejudicando as pastagens e consequentemente fazendo a produção de leite cair. Os altos custos de produção que influenciam o preço do leite, envolvendo ração, energia e combustível, associados à baixa demanda do mercado interno, foram outros fatores importantes”, afirma Bernardo.
Minas Gerais manteve a liderança no ranking nacional, com 24,5% de participação, seguida pelo Paraná (14,3%) e Rio Grande do Sul (13,3%).
Já a Pesquisa Trimestral do Couro, que investiga curtumes que curtem pelo menos cinco mil unidades inteiras de couro cru bovino por ano, registrou em 2022 um total de 30,22 milhões de peças inteiras. Isso representa um aumento de 2,4% em comparação com 2021, influenciado pelo incremento do recebimento de peles bovinas em 13 dos 18 estados que possuem curtumes elegíveis pela pesquisa.
No ranking nacional, Mato Grosso continuou liderando a recepção de peles pelos curtumes em 2022, com 16,6% de participação, seguido por Mato Grosso do Sul (13,8%) e São Paulo (11,1%).

Pesquisa Trimestral do Abate de Animais
A pesquisa fornece informações sobre o total de cabeças abatidas e o peso total das carcaças para as espécies de bovinos (bois, vacas, novilhos e novilhas), suínos e frangos, tendo como unidade de coleta o estabelecimento que efetua o abate sob fiscalização sanitária federal, estadual ou municipal. A periodicidade da pesquisa é trimestral, sendo que para cada trimestre do ano civil os dados são discriminados mês a mês.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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