domingo, 14 abril, 2024
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Nova terapia experimental para leucemia aguda elimina câncer em 18 pacientes

Estudo realizado pela MD Anderson Cancer Center contou com voluntários a partir de 10 meses de idade; Oncohematologista tira principais dúvidas sobre neoplasia que afeta as células sanguíneas

Uma nova pesquisa realizada pelo MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, mostrou que um tratamento experimental foi capaz de eliminar a leucemia aguda em 18 pacientes dos 60 participantes do estudo. Para a estratégia, foi utilizada a droga revumenib e, no estudo de fase 1, já foi possível notar resultados promissores em 30% dos voluntários.
Os pacientes que testaram o tratamento com a revumenib possuem leucemias agudas avançadas com rearranjos KMT2A ou NPM1 mutante. Contudo, vale lembrar que, mundialmente, a maioria das pessoas com a neoplasia não possuem esses tipos mais raros da doença. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são estimados 11.540 novos casos de leucemia a cada ano no Brasil – sendo o 10º tipo de câncer mais frequente entre a população brasileira.
Durante o tratamento, o fármaco inibe a proteína “menin” ou “MEN1”. Nos ensaios pré-clínicos, ela tem ganhado destaque e os cientistas sugeriram intervir em como a proteína interage com as mutações da doença. Essa pode ser uma medida bastante eficiente na eliminação das células cancerígenas.
Dentre os 60 participantes, a maioria tem, em média, 43 anos, contudo, os testes contavam ainda com bebês de 10 meses. Quanto aos resultados, a taxa de resposta geral alcançada foi de 53%, já a de remissão completa 30%.
Os tipos de leucemia com rearranjos KMT2A ou NPM1 mutante são bastante difíceis de tratar e até o momento, não possuem tratamentos direcionados e que sejam especificamente aprovados.
“A Leucemia é desencadeada por mutações genéticas nas células hematopoiéticas, responsáveis pela produção das células sanguíneas (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas). Estas mutações fazem com que a célula hematopoiética passe a produzir uma grande quantidade de células anormais, que não conseguem amadurecer e desempenhar sua função normalmente, ocupando a medula óssea e impedindo que células normais sejam produzidas”, explica Mariana Oliveira, oncohematologista da Oncoclínicas São Paulo.
Segundo a especialista, a doença não se trata de uma condição hereditária, mas sim de alterações genéticas adquiridas e que acabam por desencadear o surgimento do câncer. “Infelizmente, não existe uma forma de prevenção. Porém, é importante estar atento e procurar um médico sempre que tiver algum dos sintomas. Assim, será possível fazer os exames diagnósticos com rapidez e escolher o tratamento mais adequado para cada caso”, destaca.
Quanto aos sintomas, a oncohematologista aponta palidez, cansaço e sonolência, uma das consequências da queda na produção de glóbulos vermelhos (hemácias) e consequente anemia. “Manchas roxas que surgem aparentemente sem traumas, pequenos pontos vermelhos na pele e/ou sangramentos mais intensos e prolongados após ferimentos leves também podem surgir em decorrência da diminuição na produção de plaquetas. Dores ósseas e nas juntas, que podem dificultar a capacidade de locomoção, e dores de cabeça e vômitos são outros possíveis sintomas que não devem ser ignorados. Outro indício da doença pode ser ainda a perda de peso” comenta a médica.

Tratamento
Segundo Mariana Oliveira, isso dependerá de cada caso, que deve ser visto individualmente. Contudo, os pacientes necessitam de internação, exames de classificação e testes da medula óssea para a escolha da quimioterapia adequada. Vale lembrar ainda que, geralmente, a multiplicação das células mutadas é rápida e é mais comum em crianças.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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