domingo, 21 abril, 2024
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Novo Código de Honra brasileiro

Anselmo Brombal – Jornalista

Esquece tudo o que você estudou até agora. Não vale mais nada. Seus pais ensinaram respeito? Esquece, não precisa respeitar mais nada. Seus pais ensinaram que é crime roubar? Traficar drogas? Também esquece. Há alguns anos estamos sob o Novo Código de Honra brasileiro. Um código diferente do que estávamos acostumados, onde se pregava ética, moral e bons costumes.
Vamos lá. Segundo as normas antigas, a Polícia havia prendido André do Rap, um dos maiores, ou talvez até o maior traficante do Brasil. A Justiça o condenou em primeira instância, e ele passou algum tempo na cadeia. Mas depois, juízes de instância superior, mandou libertar o traficante. Saiu da cadeia pela porta da frente. E agora a Justiça mandou que todos os seus bens, apreendidos pelo código anterior, lhes fossem devolvidos.
A alegação é que houve uma falha técnica em todo o processo, começando pela prisão. Segundo o novo código, a Polícia teria apanhado André do Rap sem mandado judicial, sem ordem de busca e apreensão. Um outro ladrão, notório, passou por situação semelhante. Foi condenado em três instâncias, mas um ministro do STF entendeu que o processo não poderia ter sido conduzido em Curitiba. Anulou tudo.
Não faltam exemplos da aplicação desse novo código. Está em tudo. Havia um Código de Trânsito que disciplinou o andar dos veículos. Mão, contramão, via preferencial, ruas, avenidas, calçadas. Esquece. Agora pode tudo. Principalmente se você for motoqueiro. Pode andar em cima de calçadas, na contramão de direção, avançar sinal vermelho, fazer barulho à vontade.
Manter relações sexuais com menores de idade era proibido. Agora liberou geral. Basta notar esses bailes funk. Não precisa ir até o Rio de Janeiro. Em todos os lugares há essas baladas com intenso consumo de drogas, com menores seminuas e com sexo para quem quiser ver. Nos mais pesados, segurança armada com fuzis. Porte de arma? Coisa do passado. Agora pode. Desde que você esteja ligado à alguma facção criminosa. Com direito a fotos a serem postadas em redes sociais. Tá tudo dominado.
Acreditava-se, há algum tempo, que os representantes do povo fossem pessoas sérias. Agora nem se pede mais currículo. Pede-se a ficha criminal. Quanto mais extensa, melhor o cargo. Dá uma conferida no ministério do Lúcifer Inácio da Silva. E o Congresso Nacional? Mais da metade de rabo preso com a Justiça, envolvida em crimes de todos os tipos. Principalmente com roubalheira.
Respeitar senhoras e mais velhos também é costume abolido pelo novo código. Agora você pode estacionar seu carro em vagas reservadas a gestantes, idosos e deficientes. Não acontece nada. Ninguém coíbe. Você pode também ocupar os assentos preferenciais no transporte coletivo. Também não acontece nada.
Bancos, lotéricas e supermercados inventaram a fila preferencial. Isso para se adaptar ao novo código. A lei manda que idosos, gestantes e deficientes tenham atendimento prioritário. Prioritário quer dizer na frente dos demais. Agora o novo código permite que bancos, lotéricas e supermercados usem único caixa para atender esses inválidos. E nada acontece. Só não pode: bater na mulher, deixar de pagar pensão alimentícia e falar mal do STF.
Bem vindo aos novos tempos. E trata de aprender o novo Código de Honra brasileiro.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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