domingo, 14 abril, 2024
spot_img
InícioOpiniãoA falácia do carro popular

A falácia do carro popular

Anselmo Brombal – Jornalista

O governo está propagando que vai encontrar um jeito de tornar os carros mais baratos. Quer que as montadoras produzam um carro popular. Não é novidade. Itamar Franco, quando presidente, fez isso em 1993 e amargou fiasco. Itamar estava incomodado com a Fiat, que havia lançado seu 147 em 1977 e estava incomodando a Volkswagen. O único sujeito que fez um carro popular de verdade foi Henry Ford. E faz muito tempo. O modelo T vendia muito.
As montadoras não querem abrir mão de seus lucros infames e imorais. E então começaram as sugestões. Ideias de jerico. Há quem proponha produzir os carros sem o air-bag, ítem de segurança obrigatório em todo o mundo. Hà quem entenda que é preciso tirar alguns luxos dos carros, como rádio, antena, encosto de cabeça nos bancos. Cinto de segurança poderia ser opcional.
Só falta mesmo as montadoras sugerirem vender a carcaça. Em casa, com paciência, com ajuda de algum amigo, o comprador poderia ir montando o carro aos poucos. Um dia coloca os pneus, noutro o motor e por aí vai. E, pior de tudo, é que tem ministro perdendo tempo para ouvir tais sugestões.
Não haverá carro popular. Haverá carro meia-boca. As montadoras ganham muito, o governo ganha muito com os impostos delas cobrados. Essa proposta é demagógica, irreal, impossível. Bem no estilo Lula. O mesmo que, quando presidente anos passados, facilitou o crédito para o pobre comprar geladeira e televisão novas. E deixou todo mundo endividado.
O mesmo que incentivou o Fies, e deixou estudantes com dívidas até o pescoço. Mas os grupos voltados à Educação ganharam rios de dinheiro. Lula quer ser popular novamente. Mas esqueceu que os tempos mudaram. Esqueceu que a economia do mundo mudou. E que seu tempo já venceu.
Só falta agora algum ministro sugerir que usemos carroças e cavalos. O que também não é nada barato. Cavalo dá despesa. Carroça dá manutenção. Nos anos 1980, o engenheiro João Amaral Gurgel apresentou seu carro elétrico. Quase foi crucificado. Hoje o carro elétrico é o sonho de muita gente. Não existe mais Gurgel. Não existe mais Henry Ford.
Mas, se for para usar carroça, terei muito prazer em atrelar o Lula à minha. E passear à vontade.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- publididade -spot_img

POPULARES