domingo, 26 maio, 2024
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O “lado bom” do PCC

Anselmo Brombal – Jornalista Nem tudo está perdido. Apesar de ser a maior organização criminosa do Brasil – quiçá das Américas – o PCC tem algo que pode ser chamado de “lado bom”. Eficiente, o PCC põe ordem onde atua, proibindo crimes de todos os tipos na área. Não é caridade – a facção quer o lucro do tráfico, e para isso não quer chamar a atenção da Polícia. Quem transgride suas regras é punido. E bem punido. Quando começou, em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté, tinha outros propósitos. Com o tempo, a inteligência de Marcola prevaleceu. Trinta e um anos depois do início, o PCC é hoje uma organização lucrativa, com mais de 100 mil adeptos, dedicada ao tráfico (inclusive internacional) e a grandes assaltos. Isso mesmo – o PCC proíbe roubar trabalhadores. Marcola implantou a filosofia do lucro, nos moldes da Máfia americana. E o lucro é absurdo. O PCC tem seu regulamento, seguido à risca. Autor de estupro é punido com a morte, depois de passar por julgamento no chamado tribunal do crime. Até tem chance de se defender, se é que existe defesa para um crime desse tipo. Traição é intolerável. Pequenos furtos e assaltos não acontecem em áreas dominadas pela organização. Se acontecerem, coitados dos autores. A imprensa calhorda dos dias atuais não trata a organização pelo nome. São comuns repórteres escreverem ou dizerem que fulano é membro “de uma organização criminosa que atua dentro e fora dos presídios”. Mas o PCC não é pioneiro – tem um rival mais antigo, o Comando Vermelho, principalmente no Rio de Janeiro. E o CV nasceu depois que algum iluminado governante resolveu colocar na mesma prisão, em Ilha Grande, criminosos comuns e presos políticos. Os presos políticos, mais cultos, ensinaram aos presos comuns a organização, a disciplina e a união. Deu no que deu. O PCC começou depois da transferência de oito presos da capital paulista para Taubaté – e eles ficaram conhecidos como “os oito da capital”. Violento a princípio, foi se moldando à filosofia do lucro implantada por Marcola. E Marcola pode ser tudo, menos burro. O PCC não gosta do varejo. Prefere assaltos a bancos, carros-forte e empresas que guardam dinheiro. O mal do PCC é afrontar demais a Polícia, inclusive com assassinato de policiais. É aí que o bicho pega. No demais, é uma organização tão eficiente quanto à Máfia. Sem burocracia, sem processos que se arrastam há anos, sem firulas. Muitos moradores de periferia, principalmente, preferem recorrer ao PCC do que à Polícia. Lembra muito uma das cenas iniciais do filme O Poderoso Chefão, quando Dom Vito Corleone lamenta o fato de um italiano haver procurado a Polícia, em vez da Máfia, para resolver o caso da filha, abusada por um malandro. Um dos trechos do regulamento do PCC: “o partido não admite mentiras, traição, inveja, cobiça, calúnia, egoísmo, interesse pessoal, mas sim: a verdade, a fidelidade, a hombridade, solidariedade e o interesse como ao Bem de todos, porque somos um por todos e todos por um”. Pra encerrar: chamar o PCC de organização criminosa é um fato inquestionável. Mas, vamos e venhamos, existe algo mais criminoso que o governo? Que mata os cidadãos pela falta de assistência médica e políticas de prevenção às doenças? Que rouba no atacado todos os cidadãos brasileiros? Que mente descaradamente todos os dias via imprensa sabuja? Por essas e outras, Marcola para presidente.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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