terça-feira, 3 março, 2026
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Dia Mundial da Audição reforça alerta sobre saúde auditiva

Sons como apito, chiado, um ruído semelhante ao de grilo ou até uma pulsação constante são incômodos frequentemente causados pelo zumbido ou tinnitus, nome técnico dado à percepção de um som sem que exista uma fonte sonora externa. No Brasil, estimativas da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial apontam que entre 28 e 30 milhões de pessoas convivem com o problema. O tema ganha mais relevância no dia 3 de março (hoje), quando é celebrado o Dia Mundial da Audição, data que reforça a importância dos cuidados com a saúde auditiva.

Segundo o otorrinolaringologista Henrique Gobbo, o zumbido, na maioria das vezes, não é uma doença em si, mas um sinal de que algo não vai bem no sistema auditivo. “O zumbido geralmente é um sintoma que indica alguma alteração no sistema auditivo, envolvendo o ouvido ou o nervo auditivo. 10% a 15% da população apresenta o sintoma em algum momento da vida, e a prevalência aumenta com a idade. Pessoas acima dos 60 anos e indivíduos expostos a ruídos intensos estão entre os mais afetados”, explica.

A causa mais comum do zumbido está relacionada a perda auditiva, que pode ter diferentes origens, como envelhecimento natural, otites, infecções, doenças metabólicas e hormonais, uso de medicamentos, exposição ao ruído, doenças autoimunes (da família do reumatismo) e alterações do labirinto. O sintoma também pode estar relacionado a disfunções da tuba auditiva, alterações na articulação temporomandibular, excesso de cera no ouvido e alterações vasculares.

O especialista ressalta que raramente o zumbido pode estar associado a doenças cerebrais. “Na maioria das vezes, ele está relacionado à perda auditiva, mas nem sempre essa perda é evidente nos exames convencionais. Existem alterações mais sutis da orelha interna que podem não aparecer na audiometria básica e exigem exames mais específicos”, pontua.

O zumbido requer atenção, pois pode impactar diretamente o sono, a concentração e a saúde emocional. “O zumbido envolve o cérebro. Quando é interpretado como algo perigoso ou intratável, ativa áreas cerebrais ligadas à emoção e ao estado de alerta. Isso pode levar à insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade e aumento da ansiedade. O grau de sofrimento não depende apenas da intensidade do som, mas principalmente da forma como o paciente reage a ele”, destaca Gobbo.

Estresse e ansiedade também podem desencadear ou agravar o sintoma. “Existe uma relação bidirecional. O estresse aumenta a percepção do zumbido e reduz a tolerância ao sintoma. Ao mesmo tempo, o próprio zumbido pode gerar ansiedade, criando um ciclo vicioso. Costumamos dizer aos pacientes: ‘Se você olha para o zumbido, ele olha de volta para você’. Por isso, o manejo emocional é parte fundamental do tratamento”, destaca o otorrinolaringologista.

De modo geral, recomenda-se procurar avaliação quando o zumbido persiste por mais de uma ou duas semanas, quando está associado à perda auditiva ou quando começa a interferir na qualidade de vida, especialmente no sono e na concentração. A avaliação precoce ajuda a direcionar o tratamento e reduzir o impacto emocional do sintoma.

Alguns quadros exigem avaliação médica mais urgente. “Zumbido unilateral recente, zumbido pulsátil sincronizado com os batimentos cardíacos, zumbido associado à perda auditiva súbita, vertigem intensa ou sintomas neurológicos são sinais de alerta. Nesses casos, é importante investigar causas específicas e, se necessário, realizar exames complementares com maior urgência”, orienta.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em anamnese detalhada e exame físico. A audiometria é o exame mais solicitado, podendo ser complementada por outros testes auditivos, como potenciais evocados auditivos, exames laboratoriais e exames de imagem. Em casos específicos, como zumbido unilateral ou pulsátil, exames de imagem direcionados podem ser necessários.

A possibilidade de cura depende da causa. Quando o zumbido está relacionado a situações reversíveis, como tampão de cera ou infecção, pode desaparecer totalmente com o tratamento adequado. Nos casos associados à perda auditiva crônica, geralmente fala-se em controle, e não em cura definitiva. Ainda assim, é possível reduzir significativamente o incômodo e melhorar a qualidade de vida.

O tratamento é individualizado. Em pacientes com perda auditiva associada, o uso de aparelho auditivo costuma ser bastante eficaz, pois melhora a audição e reduz o contraste do zumbido. A terapia sonora, com sons ambientais ou ruídos específicos, também pode ajudar. Medicamentos podem ser indicados em alguns casos, sempre com avaliação criteriosa para equilibrar eficácia e possíveis efeitos colaterais.

A prevenção passa principalmente pela proteção da audição. Evitar exposição prolongada a ruídos intensos, utilizar protetores auriculares quando necessário e manter o volume de fones de ouvido em níveis seguros, idealmente até a metade da capacidade máxima, são medidas fundamentais.

“A saúde auditiva é resultado de hábitos acumulados ao longo da vida. Controlar doenças como hipertensão e diabetes, manter boa qualidade de sono e cuidar da saúde emocional também fazem parte da prevenção”, conclui o especialista.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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