terça-feira, 30 junho, 2026
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Procon: 80% que compram medicamentos desconhecem teto de preços

Levantamento realizado pelo Procon com 1.819 consumidores apontou que 1.538 compram medicamentos e desses quatro em cada cinco consumidores (79,1%) desconhecem que a maioria dos medicamentos possui um teto máximo de preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e divulgado pela Anvisa por meio do Preço Máximo ao Consumidor. A pesquisa foi realizada entre 4 e 29 de maio de 2026 e analisou hábitos de compra, percepção sobre preços, automedicação, privacidade de dados e canais de aquisição de medicamentos.

O desconhecimento sobre a regulação dos preços ocorre mesmo em um cenário em que o custo dos medicamentos pesa significativamente no orçamento familiar. Entre os entrevistados que compram medicamentos, 88,10% afirmaram já ter deixado de adquirir algum medicamento devido ao preço e 94,93% disseram pesquisar valores antes da compra.

Outro dado que chama atenção é o crescimento da busca por alternativas mais econômicas. Quando recebem uma prescrição médica, 50,20% dos consumidores afirmam trocar o medicamento indicado por um genérico ou outra opção mais barata, enquanto apenas 31,73% compram exatamente o produto prescrito.

Principais destaques da pesquisa:

– Quase 30% dos que conhecem o PMC, afirmam não saber onde consultá-lo.

– Para medicamentos sem prescrição, a experiência anterior (34,20%) e a recomendação do farmacêutico (27,18%) são os principais critérios de escolha.

– A preferência exclusiva por grandes redes físicas caiu de 51,91% para 43,17% em um ano.

– 71,20% fornecem o CPF sempre para obter descontos em farmácias.

– 54,29% dizem não saber como essas informações são tratadas e 35,24% têm dúvidas sobre o assunto.

A pesquisa também mostra mudanças no comportamento dos consumidores em relação ao ano anterior:

– O desconhecimento sobre o teto de preços aumentou de 74,82% para 79,13%.

– A percepção de que a publicidade induz à automedicação subiu de 66,10% para 70,35%.

– O uso combinado de canais físicos e online avançou de 31,25% para 39,40%.

Consumo consciente

A consulta feita pelo Procon aponta que as farmácias e drogarias precisam aprimorar a forma de explicar como os dados dos clientes são usados, tratados e guardados, e não apenas dizer que são necessários para a obtenção de descontos: se as informações são compartilhadas com laboratórios, convênios médicos ou redes hospitalares; se há monetização decorrente de eventuais compartilhamentos e outros esclarecimentos determinados pela Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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