O Conselho Nacional de Política Energética se reúne hoje (14) para analisar o aumento da mistura de etanol na gasolina, em meio a pressões do setor e divergências dentro do governo sobre o ritmo da medida.
A proposta em discussão prevê elevar o teor obrigatório dos atuais 30% para pelo menos 32%, com possibilidade de avanço até 35%. A reunião ocorre após sucessivos adiamentos da decisão, que já saiu da pauta do colegiado mais de uma vez por falta de consenso técnico e político.
A ala favorável à medida defende que o aumento da mistura pode reduzir o preço da gasolina ao consumidor, ao ampliar o uso de etanol, geralmente mais barato, e diminuir a necessidade de importação de combustíveis fósseis. A iniciativa também é tratada como estratégica para reforçar a segurança energética e a agenda ambiental do país.
Por outro lado, a proposta enfrenta resistências. Parte da indústria automotiva e consumidores, especialmente donos de veículos mais antigos, apontam riscos de impactos sobre motores e desempenho com teores mais elevados de etanol. Técnicos do governo também defendem cautela e a realização de testes adicionais antes de qualquer ampliação mais significativa.
Atualmente o Brasil já opera com uma das maiores proporções de etanol na gasolina do mundo. O percentual foi elevado para 30% em junho do ano passado, aproximando o país do limite considerado seguro para a frota atual.
A eventual adoção de patamares mais altos dependerá de validações técnicas e da decisão política do CNPE. A expectativa é que o encontro desta terça sirva para consolidar um entendimento dentro do governo, ainda que a implementação da nova mistura possa ocorrer de forma gradual.



