segunda-feira, 31 agosto, 2026
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Esclerose múltipla pode comprometer a respiração

Além de comprometer movimentos, equilíbrio e coordenação, a esclerose múltipla também pode afetar a musculatura envolvida na respiração. O Dia de Conscientização Nacional sobre a doença, celebrado em 30 de agosto, traz um alerta sobre a relação entre mobilidade e a função respiratória.

Para o neurologista Edson Issamu, esse é um aspecto que ainda recebe pouca atenção. “A esclerose múltipla é conhecida pelos impactos na marcha, no equilíbrio e na coordenação, mas a doença pode atingir diferentes grupos musculares, incluindo aqueles envolvidos na respiração. Muitas vezes, essa alteração ocorre de forma gradual e sem sintomas evidentes, o que reforça a importância de avaliações periódicas e do acompanhamento multidisciplinar”.

A fisioterapia é uma das áreas que atuam na preservação da funcionalidade. Além do fortalecimento muscular e do treino de equilíbrio e marcha, exercícios específicos podem trabalhar a musculatura respiratória e auxiliar na manutenção da capacidade funcional.

Segundo Luis Carlos Gomes, fisioterapeuta, a intervenção deve ser individualizada e iniciada o mais cedo possível. “O objetivo é preservar a autonomia pelo maior tempo possível. Trabalhamos força, equilíbrio, mobilidade, condicionamento e, quando necessário, a musculatura respiratória. Pequenas perdas funcionais identificadas precocemente podem ser tratadas antes de gerarem impactos maiores na rotina do paciente”.

Como preservar a mobilidade e a função respiratória?

Na prática, alguns cuidados podem fazer parte do acompanhamento, sempre de acordo com a avaliação médica e fisioterapêutica:

– Manter-se fisicamente ativo: exercícios orientados podem trabalhar força, resistência, equilíbrio, coordenação e flexibilidade, capacidades diretamente relacionadas à mobilidade e à autonomia.

– Treinar marcha e equilíbrio: atividades específicas podem ajudar a preservar a segurança para caminhar e realizar tarefas do cotidiano, especialmente quando há alterações de equilíbrio ou coordenação.

– Trabalhar a força muscular: o fortalecimento deve ser individualizado, considerando o nível de comprometimento e a resposta de cada pessoa ao esforço. O objetivo é preservar a cap-acidade de realizar movimentos e atividades diárias.

– Incluir exercícios respiratórios quando houver indicação: o treinamento específico da musculatura inspiratória e expiratória tem mostrado resultados positivos sobre a força dos músculos respiratórios e alguns parâmetros pulmonares em pessoas com esclerose múltipla.

– Não esperar falta de ar para investigar: alterações da musculatura respiratória podem não provocar sintomas evidentes no início. A avaliação funcional permite identificar possíveis perdas e definir se há necessidade de uma abordagem respiratória específica.

– Controlar a fadiga durante o exercício: o cansaço é um dos sintomas que podem limitar a atividade física na esclerose múltipla. O treinamento precisa respeitar os períodos de maior fadiga e ser ajustado individualmente. Estudos recentes encontraram redução de medidas de fadiga após treinamento respiratório, embora os resultados variem conforme o instrumento utilizado.

– Manter acompanhamento multidisciplinar: neurologista e fisioterapeuta podem acompanhar diferentes aspectos da doença e ajustar as estratégias de tratamento conforme surgem novas limitações.

A preservação da funcionalidade depende, portanto, de acompanhamento contínuo e de um programa de exercícios adequado às características de cada paciente. O treinamento respiratório pode ser um complemento da reabilitação, e não um substituto do tratamento neurológico ou da avaliação individualizada.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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