terça-feira, 1 setembro, 2026
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São Paulo tem queda de 61% nos feminicídios em julho

Os casos de feminicídio registrados no estado de São Paulo diminuíram 60,9% em julho deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. Foram nove casos registrados no mês ante 23 no mesmo período de 2025. A redução acontece em meio ao reforço da rede de proteção às mulheres em todo o estado de São Paulo, com novas iniciativas e ampliação de unidades especializadas para promover atendimento qualificado e prevenir a violência doméstica.

 A queda também foi registrada na capital paulista, de sete casos para três ocorrências. Para a delegada e coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, Cristiane Braga, a redução é um resultado importante, pois a comparação representa vidas preservadas. No entanto, o combate à violência doméstica segue como prioridade.

 “A redução dos feminicídios é um resultado importante, mas não significa que podemos baixar a guarda. Cada ocorrência de violência contra a mulher precisa ser tratada com atenção e rapidez, porque muitas vezes existem sinais anteriores de uma violência que pode se agravar. Por isso, o trabalho das Delegacias de Defesa da Mulher é fundamental não apenas para investigar os crimes, mas também para acolher, orientar e fortalecer a vítima para que ela consiga romper o ciclo de violência e acessar a rede de proteção”, afirma Braga.

No acumulado de janeiro a julho em todo o estado, o número de registros permaneceu próximo ao do ano passado: foram 150 casos em 2026, contra 151 no mesmo período de 2025, redução de 0,7%. Já na capital paulista, a queda foi de 28,9%, passando de 38 para 27 registros, segundo os dados da Secretaria da Segurança Pública.

Um exemplo recente da atuação da rede de proteção aconteceu em 21 de julho, quando a Polícia Militar prendeu em flagrante, na Zona Norte da capital, um homem de 42 anos suspeito de manter a companheira grávida em cárcere privado e submetê-la a agressões, ameaças e violência sexual. A ocorrência começou após uma denúncia encaminhada pelo Disque-Denúncia. A mulher, de nacionalidade filipina, e o filho do casal, de 4 anos, foram localizados no imóvel e encaminhados para atendimento especializado pela Patrulha SP Mulher Segura.

Enquanto a ocorrência era registrada na 4ª DDM, os policiais receberam a informação de que o suspeito retornaria ao imóvel. Ele foi localizado e levado à delegacia. Segundo o boletim de ocorrência, o homem controlava a movimentação da companheira, retinha documentos e celular e utilizava o filho para ameaçá-la.

A comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli, destaca que a criação da Patrulha SP Mulher Segura ampliou a capacidade da corporação de acompanhar as vítimas e agir preventivamente em situações de risco.

“A criação da Patrulha SP Mulher Segura fortaleceu uma atuação que é essencial: estar perto da vítima também depois do primeiro acionamento, acompanhando cada situação e identificando sinais de risco que possam indicar uma nova agressão. Esse trabalho permite que a Polícia Militar atue de forma preventiva e mais direcionada, além de garantir que a mulher receba orientações e seja encaminhada para os serviços da rede de proteção. É uma estrutura que tem feito a diferença no atendimento e na proteção dessas mulheres”, diz a coronel Glauce

Rede de proteção à mulher

O enfrentamento à violência contra a mulher envolve diferentes frentes de atuação das forças de segurança em São Paulo, com iniciativas voltadas ao acolhimento das vítimas, ao incentivo às denúncias e à ampliação do acesso aos serviços especializados.

O estado possui 144 Delegacias de Defesa da Mulher territoriais, sendo 20 com funcionamento 24 horas. Há ainda as Salas DDMs 24 horas, unidades instaladas em delegacias de polícia convencionais para atender mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

 A rede conta também com a Cabine Lilás, serviço da Polícia Militar que direciona as chamadas de violência doméstica recebidas pelo telefone 190 para policiais femininas. As agentes orientam as vítimas sobre a solicitação de medidas protetivas e prestam informações sobre direitos e serviços disponíveis, como auxílio-aluguel e redes de acolhimento.

Outra ferramenta é o aplicativo SP Mulher Segura, que permite registrar boletins de ocorrência pela internet, consultar endereços de unidades policiais e acionar o botão do pânico. A funcionalidade comunica simultaneamente a polícia e um contato de emergência previamente cadastrado.

Também integra essa rede de proteção a Patrulha SP Mulher Segura, estrutura de ronda da Polícia Militar voltada à proteção das mulheres no estado. O policiamento atua de forma preventiva e ostensiva no acompanhamento de ocorrências de violência doméstica, especialmente aquelas atendidas pela Cabine Lilás e os acionamentos feitos pelo aplicativo.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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