Anselmo Brombal – Jornalista
De uns tempos para cá parece que nossos coleguinhas jornalistas resolveram enfeitar seus textos. De uma maneira antipática. Tem-se a impressão que colocam mais palavras para encompridar seus textos, parecerem eruditos. Nada disso. Só complicam.
Vamos a alguns exemplos dos que vemos todos os dias. Não se faz mais inscrições. Agora “as inscrições podem ser realizadas”. Presume-se que seja um ato solene, protocolar. Quer se candidatar a uma vaga de emprego? Então “realize” sua inscrição. Atém disso, repetem o óbvio: “tal entidade vai realizar uma ação de conscientização”. Não seria mais fácil e compreensível escrever que tal entidade vai conscientizar?
Outra raça que cresceu muito nos últimos tempos é a turminha do alambrado. O tal “cerca de” à frente de qualquer número. “Cerca de 100 pessoas participaram…”. Algumas assessorias de políticos são mestras nisso, e ainda usam termos do tempo da Arca de Noé. Tem umas que para não repetir a palavra “prefeito”, substituem por “máximo mandatário”. Outras que tratam vereador como “edil”. Não está errado, mas…
Tem também quem nomeie a sede do governo de uma cidade como “paço municipal”. Não precisa do municipal. É paço e só. Um jornalista das antigas, que já morreu, Armando Nogueira ensinava que escrever é a arte de economizar palavras. Parece que não aprenderam. Na época do império existia o paço imperial. Mas o império acabou.
Nem é preciso citar termos como “ruas da cidade”, como se existissem ruas em outros lugares; “massa asfáltica” é o nome modernoso para asfalto. Mas o que virou praga mesmo foi o uso de abreviaturas, ou siglas. Qualquer porcaria hoje tem sigla. Se alguém escrever que alguém comprou um martelo especial, pode apostar que estará escrito: martelo especial (ME).
Praga também é o uso da “edição”. Qualquer coisa é edição. Corrida de rua? Não tem problema: tal edição da corrida…E pra encerrar, a contemplação. Uma rua não recebe mais melhorias – ela é contemplada com melhorias. Teve algum sorteio?
E, de termo em termo, a orelha vai crescendo.
Quo plus quis scribit, eo plures errores committit.



