Pesquisa Nexus divulgada ontem (5) aponta que a maior parte dos brasileiros teme as consequências da chegada do El Niño. Segundo o levantamento, o aumento no preço dos alimentos é a principal preocupação da população. Para 77% dos entrevistados, o fenômeno climático afetará “muito” a inflação dos alimentos. Apenas 5% acreditam que os preços não serão impactados pelo El Niño.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia que a memória recente de eventos climáticos extremos ainda influencia fortemente a percepção dos brasileiros sobre o El Niño. “A memória da população das enchentes no Sul do país e os desabamentos no Sudeste ainda são recentes. O temor de que isso afete suas rotinas está muito presente, o que leva nove em cada 10 brasileiros a acreditarem que o El Niño terá impactos na infraestrutura do país, no abastecimento de água, na saúde das pessoas e no custo de vida”, aponta.
Segundo a pesquisa, 89% acreditam que o fenômeno afetará o abastecimento de água e provocará aumento na conta de energia elétrica. Outros 87% esperam impactos na infraestrutura das cidades.
Na área da saúde, 76% dos entrevistados afirmam que o El Niño poderá agravar problemas respiratórios em razão do calor e da seca, além de favorecer a disseminação de doenças associadas às enchentes.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em entrevistas presenciais domiciliares realizadas em todos os estados. A amostra foi estratificada por sexo, idade, renda e região, e é representativa da população brasileira.
El Niño
El Niño é um fenômeno climático natural que acontece quando as águas da parte central e leste do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Isso altera a circulação dos ventos e influencia o clima em várias partes do mundo.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região: no Sul, tende a chover mais; no Norte e Nordeste, podem ocorrer menos chuvas e mais seca; já no Centro-Oeste e Sudeste, os impactos incluem períodos mais quentes e mudanças no regime de chuvas.
Segundo nota técnica do Cento nacional de Monitoramento e Alertas de desastres Naturais (Cemaden), o El Niño de 2026 pode se tornar o mais forte da história moderna.
O fenômeno tende a interagir com o aquecimento global já em curso, elevando temperaturas médias e ampliando a intensidade de eventos extremos.



