quarta-feira, 27 maio, 2026
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Nunca fomos tão extorquidos como agora

Anselmo Brombal – Jornalista

Pra quem está reclamando da taxa das blusinhas da Shopee: isso é refresco se comparada à realidade de nossos impostos. E tudo na base da extorsão. A casa que alguém comprou não é desse alguém – se não pagar o IPTU, a prefeitura toma a casa. O carro que outro alguém comprou não é dele, embora tenha pago integralmente, inclusos aí o IPI e o ICMS – todo ano esse alguém precisa pagar o IPVA. E se outro alguém doar uma casa para amigo, filho, parente, também precisa pagar o ITBI, que é o Imposto de Transmissão de Bens Intervivos.

Hoje nosso país tem 95 impostos. Alguns extorsivos. Cigarro, por exemplo, paga imposto de 83,37%; cachaça, 81,87%. Ou seja, quando alguém compra um litro de cachaça no supermercado, a 40 reais (um exemplo), mais de 32 reais são do governo, e não de quem a fabricou. E todos os impostos têm efeito cascata. E o imposto sobre remédios, aqui no Bananil, é cinco vez maior que a média mundial.

O pacote de macarrão, quando sai da fábrica, paga IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): 16,27%. O fabricante, ao vender para o supermercado, vai pagar o ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços). E o supermercado vai repassar ao consumidor. Ou seja, por mais que alguém sonegue, paga imposto na marra.

Se um outro alguém for prestador de serviço também paga imposto – o encanador, o pintor, o pedreiro… As prefeituras cobram o ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza). E todo ano esse mesmo prestador de serviço corre o risco de pagar Imposto de Renda – um imposto sobre o trabalho.

Em outros países há impostos até maiores que os nossos, mas os governos merecem. Em países nórdicos, por exemplo, não se paga escola, nem hospital. E tudo funciona perfeitamente.

Voltemos para o nosso Bananil. No ano passado, o governo federal arrecadou R$ 2,887 trilhões, segundo a Receita Federal. O governo de São Paulo, R$ 372,8 bilhões. A prefeitura de Jundiaí, em 2025, arrecadou R$ 3.991.367.421,86.

A pergunta de todos os brasileiros é: pra onde vai tanto dinheiro. Todos suspeitam, e quase todos têm certeza que boa parte é desviada. O desvio se dá em tudo, desde a contratação de grandes obras até na coleta de lixo e na merenda escolar. Pra complicar ainda mais, há o inchaço do funcionalismo público. Amigos são nomeados, e sempre em bons cargos, o que significa ótimos salários, além de outras benesses. Atualmente há juízes reclamando que foram proibidos os penduricalhos, que praticamente triplicam o salário.

No Brasil, o maior valor individual registrado recentemente foi o do juiz Danilo Augusto Kanthack Paccini, da 2ª Vara Cível de Porto Velho (RO), que recebeu R$ 1,77 milhão líquidos em novembro do ano passado. Um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais recebeu R$ 2,2 milhões brutos em benefícios extras.

E pensar que em 1788 e 1788 houve uma revolta em Minas Gerais só porque o governo de Portugal queria cobrar um imposto sobre o ouro que de lá era extraído. Só 20%. E hoje, todos nós estamos quietos. Pensar que ainda há gente que aplaude um governante por uma obra feita com o nosso dinheiro…

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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