quinta-feira, 22 outubro, 2026
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O inconformismo do senhor Carniça

Anselmo Brombal – Jornalista

Entre 1990 e 1992, o PT inventou uma forma de atrapalhar o governo do então presidente Fernando Collor. E Collor não era lá essas coisas. Liderado por Lula, o PT criou o “governo paralelo”, nos mesmos moldes do governo de verdade – tinha “ministros” e agia como se mandasse de fato. O objetivo era só atrapalhar. E conseguia em partes, pois uma parcela da imprensa divulgava suas “resoluções” como fatos verdadeiros. E isso confundia a população.

Com o impeachment de Collor, o “governo paralelo” se derreteu. Mas agora, com a provável vitória de Flávio Bolsonaro, tende a se repetir. Lula, o PT e a esquerda em geral não aceitam o que não lhes convem. E isso não é de agora. Relembremos:

Em 1964, os militares depuseram o então presidente João Goulart. Tomaram o governo e passaram a impor algumas normas com o intuito de colocar ordem na bagunça que vivia o país. E isso desagradou a esquerda. Primeiro foram algumas manifestações de rua, em diretórios acadêmicos e alguns setores da Câmara e do Senado.

Inconformada com a falta de resultados, a esquerda foi para a luta armada. Assaltava bancos para financiar suas ações. Promovia o terrorismo. Sequestrou embaixadores. O governo respondeu à altura. Prendeu muita gente. Justa e injustamente. Errou ao permitir a prática da tortura. Mas era uma guerra, e em guerra não há gentilezas. Até que veio a anistia, em 1979.

Com a anistia, voltaram os que estavam em outros países, e foram soltos os que aqui estavam presos. Essa leva incluiu José Genoíno (guerrilha do Araguaia), Dilma Roussef (terrorista), Míriam Leitão (assaltante de banco), José Dirceu (que treinou guerrilha urbana em Cuba) e outros menos cotados. Lula não fazia parte desse grupo. É um caso diferente.

Lula é produto do general Golbery do Couto e Silva, um dos ministros no governo Geisel. Conhecido como Feiticeiro, devido as suas estratégias, foi incumbido de se aproximar de Lula e convencê-lo a mudar de lado, passando informações ao governo. Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Lula então passou a dar informações diretamente ao delegado-chefe da Polícia Federal em São Paulo, Romeu Tuma. Tinha tratamento diferenciado no Dops, e ehegava a dormir na sala de recepção de Tuma, no Dops. Essa intimidade está no livro do seu filho, Romeu Tuma Júnior. E Lula entregava toda a companheirada. Houve prisões encenadas para convencer os operários que Lula era mesmo contra o governo.

Anos depois se elegeu deputado federal, época em que afirmou que na Câmara dos Deputados só havia picaretas. Tomou gosto pelo poder, disputou eleições, até que em 2002 foi eleito presidente. Foi reeleito em 2006, e voltou em 2022.

Agora, prestes a perder sua reeleição, há o risco do PT criar um novo “governo paralelo”, com a mesma finalidade do anterior – atrapalhar, confundir. Aí sim Janja se torna “ministra”. E nós, como sempre, continuaremos otários.

Anselmo Brombal
Anselmo Brombalhttps://jornaldacidade.digital
Anselmo Brombal é jornalista do Jornal da Cidade
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