Anselmo Brombal – Jornalista
Construtoras e imobiliárias têm seus argumentos para vender seus imóveis. Alguns convencem, outros são mentira deslavada. Há quem acredite e gaste seu dinheiro comprando apartamentos que parecem brotar em Jundiaí. Agora parece que a farra está chegando ao fim. Ou pelo menos tendo uma pausa.
Políticos falam com orgulho que Jundiaí tem a segunda melhor qualidade de vida do Brasil. Coisa difícil de engolir. Construtoras apregoam que Jundiaí está a 20 minutos da Capital pela rodovia dos Bandeirantes. O problema é chegar nessa rodovia. Não existe mais horário de pico. O trânsito está um caos em qualquer horário, tanto na área urbana quanto nas rodovias.
Um dos argumentos de construtoras era “compre um apartamento e tenha uma linda vista da Serra do Japi. Qualquer ser com dois neurônios saberia que, para ter essa linda vista, era só tirar uma foto, mandar emoldurá-la e pendurar na parede. O público alvo dessas construtoras é o morador da Capital. Mas aí vem a pergunta: onde colocar tanta gente?
Haverá escolas para todos? As unidades e saúde e hospitais têm capacidade para atender tanta gente? E a estrutura da cidade? Água para todos? Os esgotos vão dar conta desses novos despejos? Ruas e estradas comportam tantos novos carros e caminhões?
A resposta é simples: não. Não, e não. Comecemos pelas estradas. Anhanguera e Bandeirantes estão totalmente congestionadas. Até a Geraldo Dias (estrada velha de Campinas) já tem congestionamento. A Constâncio Cintra (estrada de Itatiba) já está entupida. A Bispo Dom Gabriel (estrada de Itu) é um problema crônico – impossível de transitar.
Vamos a outro problema. Mais gente significa mais consumo. O que atrai os supermercados, principalmente. E os supermercados precisam ser abastecidos – tudo o que chega a eles vem por caminhões. Mais consumo significa também produção de mais lixo. E as consequências desse mndaréu de gente já começam a aparecer.
Já se reclama de filas para as creches. Já se reclama da demora de atendimento nas unidades de saúde. Já se reclama do trânsito caótico nas ruas, normalmente esburacadas e mal remendadas. Já se reclama da falta de vagas para estacionar. Logo irão reclamar da falta de vagas em escolas e hospitais.
Nada contra alguém mudar-se com a família para Jundiaí. Mas a cidade não está em condições de suportar esse volume de mudanças. E o que as construtoras dão em troca do “progresso”? Nada. Só querem ganhar seu dinheiro, não importando as consequências. Uma hora tudo isso vai explodir.
Melhor mudar o apelo. Outrora linda vista da Serra do Japi.



