Anselmo Brombal – Jornalista
Tudo o que está acontecendo é culpa do El Niño. Se chove demais, se faz calor demais, se cai granizo, ele é o culpado. Mas, pensando bem, o culpado é o próprio homem, que abusou, e continua abusando, do direito de ser um traste no mundo.
Pra não ir muito longe. Durante a 2ª Guerra Mundial, milhões de toneladas de bombas foram jogadas na Europa e parte da Ásia. Isso mesmo, milhões, inclusive duas delas atômicas no Japão. E bombas explodem. Explodindo, geram calor, e esse calor entra na atmosfera.
Depois da 2ª Guerra Mundial vieram outras guerras. A da Coréia, por exemplo; depois a do Vietnan. E isso sem contar os testes atômicos feitos pelos Estados Unidos e pela Rússia. E mais bombas explodindo. Vieram as guerras do Iraque, do Afeganistão, da Síria, as de Israel… e agora temos a da Ucrânia e a encrenca dos americanos com o Irã. Mais bombas. Todo esse calor gerado pelas bombas não se dissipa no universo – fica na atmosfera.
Fora esse festival de pólvora e urânio se aliam outras atitudes de nós, humanos. Excesso de carros produzindo poluentes; lagoas e lagos sendo drenados para dar lugar à ganância imobiliária; lagos enormes, como Itaipu, sendo construídos; áreas imensas sendo desmatadas; usinas nucleares proliferando como ratos. Tudo gerando mais calor, infestando a atmosfera.
Não sou ambientalista, ecologista nem cientista. Mas quem mudou a Natureza fomos nós. Deram a isso a classificação de fenômeno natural, e até o nome: El Niño. E não precisa pensar muito para concluir que se as coisas andarem nesse ritmo logo não teremos lugar para viver. Mas aí algum iluminado de paletó e gravata vai arrumar outro nome para um novo fenômeno. O El Niño já tem uma parceira, a La Niña. Quem sabe o próximo fenômenos seja La Chiquitita…
Não vou viver para ver tanta desgraça. Mas o mundo está merecendo tudo isso que está acontecendo. Quem sabe, um dia, alguém aprende.



